quinta-feira, 7 de abril de 2011

SERÁ QUE ELE(A) É SERÁ QUE EU SOU...

DISTURBIO DE DEFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE (DDAH)


Infelizmente casos de DDA são mais comuns do que se pensa. Grande parcela da população é acometida com este distúrbio.
Não há também motivos para se ficar desesperado se este distúrbio esta detectado.
Há solução.
O mais importante no caso de suspeita é em primeiro lugar avaliar quanto isto afeta o dia a dia.
Se o dia a dia está difícil de ser levado pelos sintomas apresentados serão necessários a principio dois procedimentos:
1-   Buscar um profissional da área médica “um psiquiatra ou um psicanalista ou um psicólogo ou um neurologista” que são profissionais aptos a avaliar o seu organismo e suas condições emocionais para se necessário, começar um tratamento medicamentoso para alivio ou eliminação dos sintomas.
    Isto não exclui a possibilidade de busca de um clinico que esteja apto para orientação, mas os profissionais mais aptos a efetuarem esta avaliação medicamentosa, são o psiquiatra e o neuroloigista.

2-   Buscar um profissional da área da psicoterapia (é importante que se tenha referências deste profissional) para trabalhar as condições psico emocionais responsáveis pela formação deste distúrbio, que via de regra estão ligadas a questões emocionais infantis mal resolvidas e esquecidas no tempo e que num determinado momento vêm á tona causando em muitos casos sofrimentos individuais de frustração, ansiedade, medos, fobias etc.
3-   Pode–se também como coadjuvante buscar literatura especifica a respeito do assunto para se ter melhor compreensão deste distúrbio. Este procedimento não elimina os anteriores.
4-   Fazer uma avaliação da dieta alimentar que tem sido apresentada como uma das causas mais evidentes na detecção de DDA.


Hiperatividade
O elo entre crianças hiperativas e aditivos nos alimentos foi sugerido pela primeira vez na década de 70 e, desde então, recebeu apoio popular. Alguns cientistas descobriram que o comportamento destas crianças melhora quando alguns alimentos são retirados da dieta. Estes incluem o leite, os ovos, o trigo, as nozes, os corantes e os conservantes como tartrazina e ácido benzóico. Existe uma relação entre alimentação e hiperatividade em uma minoria das crianças, principalmente naquelas com condições alérgicas como asma e eczema. Contudo, não há evidências definitivas de que algum alimento seja responsável por desencadear o comportamento da maioria das crianças hiperativas. Mas é bom não correr o risco. Para todas as pessoas funciona do mesmo jeito, visto que a química contida nestes elementos atuam  no metabolismo do corpo e por conseqüência na química cerebral.
Na possibilidade de alguma outra ajuda ou orientação continuo á disposição.

As ultimas pesquisas mostram que 80% dos portadores de DDAH tem algum dos pais com o mesmo disturbio. A valiação então deve ser em âmbito familiar e não individual.
Este disturbio atinge crianças, adolescentes e adultos.
A hiperatividade resultante desta afecção é responsável em grande parte pela falta de atenção, concentração, o esquecimento de datas e eventos importantes que tantas pessoas reclamam. Não ter paciência para estudar com constantes senta levanta. Sentar para assistir um filme por exemplo é um martírio desde que não seja um filme ação. É também responsável pela dificuldade de manter e cumprir horarios, não manter o minimo de ordem e coerência nas tarefas que executa e também pela “bagunça generalizada” em que fica o seu local de trabalho. Quanto maior a bagunça, mais dificil de encontrar o que se deseja, menos vontade de procurar e arrumar tudo, causando frustração e as vezes sendo motivo de piadas. Procrastinação “empurrar com a barriga; deixar pra depois” é seu lema.
O individuo portador desta enfermidade é costumeiramente impulsivo, no falar, no dirigir sendo campeão de multas e acidentes por excesso de velocidade e normalmente desatento com o que ocorre ao seu lado, mas, não necessariamente por estar atento no que está fazendo.
Por algumas destas razões muda sempre de emprego ou por falta de concentração no trabalho é dispensado ou pelo trabalho ter se tornado monótono em sua rotina. O individuo DDAH está sempre a procura de coisas novas e empolgantes, inclusive na vida amorosa, onde  a manutenção de um relacionamento por longo tempo é sempre difícil.
Claro que aqui estamos falando de uma maneira genérica. É preciso observar cada individuo em cada caso.
Característica de um individuo portador de DDA

1-Tendência a aumentar a proporção de um problema. Por menor que este seja pode ser capaz de tomar-lhe horas, dias ou até mesmo meses.
2- Embora não seja de mentiras, quase não resiste em incrementar relatos, colocando mais emoção nas histórias antes de contá-las.
3- Capaz de em apenas um único dia experimentar as mais extremas variações de humor. Podendo acordar triste e logo algo inexplicável ou até mesmo banal reacender todo aquele entusiasmo.
4- Normalmente é intenso.
5- É impulsivo nas atitudes e na fala.
6- Perfeccionista (talvez como um escudo por receio das críticas).
7- Sente que gosta mais do que os outros em ouvir elogios, como se precisasse deles.
8- Muda sempre de assunto durante conversas. Quase sempre, enquanto estão falando sobre alguma coisa, você já esta impaciente por dentro, querendo passar logo para outro tema.
9- Não segue apenas uma linha de raciocínio, sendo capaz de pensar em diversas coisas simultaneamente.
10- Ama intensamente a vida.
11- Foi ou palhaço ou líder de grupos nas escolas.
12- Ao notar alguém triste, tenta logo buscar fórmulas para agradar essa pessoa.
13- Tendência à distração.
14- Antecipa em pensamentos diálogos futuros, criando perguntas e respostas.
15- Deixa coisas, idéias e projetos inacabados.
16- É extremista. Pode-se dizer que é 8 ou 80.
17- Sente ter muitos momentos de inspiração. 
18- Detesta arrogância e injustiça.
19- Domina bem assuntos que lhe atrai.
20- Tem muita ou pouca concentração. Se algo não lhe interessa, perde-se no meio do parágrafo de um texto ou numa cena de novela mergulhado em seus devaneios. Entretanto, quando o oposto acontece, é capaz de envolver-se de tal maneira dentro dos livros ou filmes, como se fizesse parte deles.
21- Sonha constantemente acordado.
22- É muito esquecido. Normalmente com nomes, datas, telefones e afazeres.
23- Dificuldade em organização.
24- Teve apelidos ou ainda os tem, tais como: bagunceiro, mal educado, burro, lerdo, exagerado, “viajandão” ou preguiçoso.
25- Detesta ser incompreendido.
26- Controla-se pra não digitar tantas exclamações ou reticências quanto gostaria nos teclados do computador.
27 Ou 28? Sente isso às vezes, por se perder facilmente em ordem numérica.
28- Mania de explicar as coisas em precisão de detalhes (tornando-se prolixo).
29- Se te questionarem o que é DDA, por exemplo, e você detenha amplo conhecimento sobre isso, não sabe como e nem por onde deve iniciar a explicação. Fica tão agoniado para externar tudo em total plenitude que muitas vezes não consegue transpor com exatidão aquilo que sabe.
30- Sente que precisa ser cobrado, lembrado e apoiado constantemente para fazer algo que deve ser feito.
31- Gosta de emoção: velocidade no carro, aventuras diferentes etc.
32- Fases de hipersexualidade e hiposexualidade.
33- Detesta seguir ordem, ou não as segue involuntariamente. Geralmente não usa cinto de segurança. 
34- Imediatista.
35- Está sempre fazendo muitas coisas ao mesmo tempo.
36- Tem dias em que se sente impotente. Entretanto em outros se sente capaz de conquistar tudo.
37- Tem imensa dificuldade em dizer “não”.
38- Sente desordem mental, como uma confusão interna. Pensa em um turbilhão de coisas e idéias simultaneamente.
39- Passa um filme na cabeça antes de adormecer. Normalmente tem insônia levando problemas pra cama. Por isso, muitas vezes já acorda indisposto ou cansado.
40- Cria pensamentos seqüenciados, como por exemplo: ao ver uma caixa de fósforos, imagina o palito, ele sendo aceso e ligando a boca de um fogão.
41- Muitas vezes tem idéias geniais. Mas logo esquece, ou a incerteza lhe faz desacreditar. Por isso alguns desejos ficam restritos em simples vontades.
42- É quase insuportável manter-se paciente em filas de banco ou longas esperas em consultórios.
43- Dificuldade em ser fiel nas relações. Porém quando trai, faz apenas por emoção, aventura, ou por gostar de ouvir novos elogios.
44- Tem impaciência em conversas chatas e lugares monótonos.
45- Antecipa respostas dos outros, se eles seguem um ritmo lento e diferente de seu raciocínio.
46- Fases de compulsão, seja por comida, sexo ou compras.
47- Sente que em diversas vezes as palavras simplesmente saem sem que possa dimensionar o seu peso ou medir suas conseqüências. Por isso, constantemente faz comentários infelizes ou acaba sendo sincero demais.
48- Sofre em agredir verbalmente alguém, ou arrepende-se em deixar aquela pessoa sem graça com suas tiradas inapropriadas.
49- Tem ótimas respostas e boa presença de espírito.
50- Normalmente é descontraído. Mas como seu humor é instável, às vezes está apenas reservado em seu mundo. 
51- Imensa dificuldade em aceitar as pessoas como elas são, o que te faz cobrar muito dos outros.
52- Com pressa de falar algo, na velocidade da sua agitação mental, acaba criando palavras que não existem, ou comete erros grotescos na pronuncia.
53- Adora ser testado ou desafiado.
54- Deixa coisas importantes para última hora.
55- Apatia após a realização de um sonho.
56- Por mais que não deseje, sua mente sempre busca algo para se ocupar, como problemas e projetos.
57- Normalmente é vibrante, tem ótima energia e bom astral. Muitas pessoas buscam sua companhia, porque você passa coisas boas e não hesita em agradar a todos.
58- Nota ser uma pessoa marcante. Todos lembram de você até mesmo após anos.
59- Tem algum tipo de vício, seja café, chocolate, coca-cola, cigarro, álcool, cocaína ou maconha.
60- Tem dificuldade em continuar algo com a mesma empolgação que começou.
61- Quando está numa fase de plena satisfação ou fica entusiasmado com algo. Dormir traz uma estranha sensação de perda de tempo.
62- Sempre acredita que aquilo que já foi feito poderia estar ainda melhor.
63- Problema de auto-estima, não apenas no aspecto físico, mas principalmente sobre sua própria capacidade.
64- Carrega traumas de sua vida acadêmica, por isso tem maior receio das críticas ligadas ao intelecto.
65- Dificuldade em permanecer sentado. Essa impaciência faz você experimentar quase todas as posições possíveis nos assentos que esteja.
66- Não poupa elogios aos outros.
67- Gosta de compartilhar sua alegria.
68- Tem forte intuição.
69- Sempre se sentiu diferente ou incomum.
70- Às vezes tem a impressão que sabe exatamente o que outras pessoas pensam e sentem.
71- Normalmente é prestativo e generoso.
72- Cuida para que todos se sintam à vontade quando estão ao seu lado.
73- Às vezes desfila tão aéreo pelas ruas que tem a estranha impressão de ser a única pessoa existente no mundo.
74- Quando vai ler alguma coisa, muitas vezes passa apenas o olho, tirando apenas a conclusão superficial.

Há ainda os casos de depressão que trataremos em outro momento.


Nilton de Oliveira
11-99433015
Psicanalista


quinta-feira, 24 de março de 2011

CONFIRMAÇÃO

CONFIRMADA A ABERTURA DA NONA TURMA DE PSICANÁLISE DA SPOB (SOCIEDADE PSICANALÍTICA ORTODOXA DO BRASIL)   NO POLO SÃO BERNARDO DO CAMPO
GARANTA JÁ SUA VAGA
DESCONTO PARA PROFESSORES (COMPROVADAMENTE) DA REDE PÚBLICA E APOSENTADOS
VAGAS LIMITADAS - APENAS 30 VAGAS
FAÇA SUA INSCRIÇÃO  JÁ.
NÃO HÁ TAXA DE MATRÍCULA; O PRIMEIRO PAGAMENTO SÓ DEVERÁ SER EFETUADO NO PRIMEIRO DIA DA AULA
CAPACITAÇÃO EM PSICANÁLISE
CAPACITAR E CREDENCIAR NOVOS PSICANALISTAS EM TODO TERRITÓRIO NACIONAL
Rua Marechal Deodoro 1964 S.B. Campo – SP
Carga Horaria
Horário: 6ª feiras - das 19h00 às 22h00 e sábados das 08h00 às 17h00 - SENDO UM FINAL DE SEMANA POR MES
OBJETIVO GERAL DO CURSO:
Promover estudos e debates sobre a Psicanálise e ciências afins, bem como capacitar e credenciar novos psicanalistas em todo Território Nacional para o exercício da profissão de acordo com as disposições legais atuais.
Proporcionar a capacitação do profissional Psicanalista nos postulados das doutrinas Freudianas e demais correntes da Psicanálise, aptos, para o exercício da Profissão qualificando profissionais de diversas áreas do conhecimento humano independentemente da formação anterior que o candidato possua;
Especializar e aperfeiçoar profissionais das áreas de saúde com cabedal dos conhecimentos psicanalíticos, reconhecidos pelos NEUROCIENTISTAS como o melhor método de compreensão da mente humana;
Manter o compromisso com a capacitação de profissionais de alto nível nesta área, sendo nossa responsabilidade supervisionar e dar aos alunos a garantia necessária para o exercício da profissão;  
Dar aos estudantes da Psicanálise um ensino contextualizado para nossos dias, no cenário brasileiro, usando um processo dinâmico, vazado em princípios contemporâneos e adaptado à modernidade de nossos dias;
Capacitar profissionais na área do conhecimento psicanalítico, dando treinamento para a compreensão do ser humano em profundidade. O formando, só se torna um profissional da psicanálise, se conseguir combinar experiência, conhecimentos e aptidão.OBJETIVOS ESPECÍFICOS DO CURSO:
Ao concluir o processo de capacitação, o profissional deverá estar apto para: ABRIR SEU CONSULTÓRIO EM QUALQUER LUGAR DO TERRITÓRIO NACIONAL( se for seu desejo)
• Identificar os princípios teóricos e práticos da Psicanálise;
• Diferenciar os vários conceitos das correntes psicanalíticas;
• Conhecer os fundamentos epistemológicos das principais escolas psicanalíticas pesquisadas e estudadas no processo de capacitação;
• Desenvolver com ética e competência a capacitação analítica em todo Território Nacional;
• Conhecer e promover Políticas de Saúde Mental que estejam relacionadas ao campo do saber analítico.
  Público Alvo
SELEÇÃO E PRÉ-REQUISITOS   
Para fazer o curso, é preciso comprovar a conclusão de curso superior.  É permitido ingressar no curso aquelas pessoas que estejam cursando  sua graduação, nesse caso é preciso apresentar declaração de matrícula. 
Aos portadores de curso superior, deve-se apresentar cópia  do diploma de graduação ou declaração de conclusão de curso. 
O candidato que apresentar declaração de conclusão de curso deve apresentar seu diploma de graduação ATÉ A CONCLUSÃO DO CURSO.
DURAÇÃO DO CURSO – 28 meses
MÓDULOS
1. Introdução à Psicanálise
2. Teoria Psicanalítica I (Freud)
3. Teoria psicanalítica II (Freud)
4.  Ética e psicanálise
5. Teoria psicanalítica III(Freud)
6. Semiologia psicanalítica
7. Teoria psicanalítica IV(Freud)
8. Interpretação de sonhos
9. Psicodinâmica das neuroses
10. Fundamentos da técnica psicanalítica I
11. Fundamentos da técnica psicanalítica II
12.  Sexologia e psicanálise
13. Psiquiatria aplicada à Psicanálise
14. Psicoterapias breves
15. Psicopatologia geral e psicanalítica
16. Psicoterapias psicanalíticas
17. Fenômenos psicossomáticos
18. Seminário de supervisão I
19. Tópicos especiais em psicanálise I
20.  Tópicos especiais em psicanálise II
21. Psicodinâmica das organizações borderlines
22. Psicanálise e Educação
23. Teoria psicanalítica kleiniana
24. Teoria psicanalítica Winnicottiana
25. Teoria psicanalítica Bioniana
26. Teoria psicanalítica Lacaniana
27. Psicanálise para infantes e púberes
28. Seminário de supervisão II
FILOSOFIA          
A filosofia do Curso baseia-se nos princípios deixados por Freud e por outros teóricos como Winnicott, Lacan, Bion e Melanie Klein, mostrando que a Psicanálise é uma ciência autônoma, de caráter terapêutico, como o único método moderno de psicoterapia baseado numa exploração do inconsciente e da sexualidade, que tem os seus próprios critérios de capacitação profissional, distinta das demais ciências, sem se subordinar à medicina, à psicologia ou a qualquer outra forma de psicoterapia. Sendo assim, as Sociedades Psicanalíticas, de acordo com os seus Estatutos e Regimentos, são as únicas capazes de definir os critérios obrigatórios de capacitação específica em Psicanálise: Análise Pessoal e acompanhamento de pacientes sob supervisão.
Investimento de : R$ 330.00- com direito ao material didático da aula
OBS. A conclusão do curso lhe proporcionará credenciamento para clinicar como psicanalista em qualquer lugar do país.
Conforme art.5º da Constituição do Brasil classificado na CBO- Código Brasileiro de Ocupações nº 2515-50 do Ministério do trabalho

quarta-feira, 23 de março de 2011

CO-DEPENDENCIA- MAIS COMUM DO QUE SE PENSA

CO-DEPENDÊNCIA

Quem é e como sofre o co-dependente

Muitos de nós sofremos em diferentes intensidades, manifestando de formas diferentes também. Mesmo sem ter consciência e conhecimento do que nos acontece, poderemos ser um portador da co- dependência.

No estudo através da psicanálise, conhecendo melhor a origem das doenças mentais e emocionais, vamos conseguindo identificar através dos sintomas e sofrimentos, o que ocorre conosco e com nossos pacientes com relação à co- dependência.

 Coloco-me em primeiro lugar, porque sei que se não fizer um bom trabalho comigo através da minha análise pessoal, dificilmente vou conseguir trabalhar bem com meu analisando, identificando o problema, separando os conteúdos, de forma ajudá-lo adequadamente.

Por tudo que li e ouvi, principalmente com o embasamento que obtive através do livro, “Quando o amor adoece” (Emanuel Ferraz Vespucci e Darci Pinheiro de Almeida - S.P. – 2003) acredito que foi esclarecedor quanto ao assunto; como por exemplo:
-          Que a co-dependência tem origem na infância e que nos foi passada através das gerações; não que as pessoas que nos transmitiram tivessem alguma culpa disto, muito pelo contrário, somos todos vítimas, a única diferença é que com o estudo e o trabalho de auto conhecimento através da psicanálise temos a possibilidade de identificar a origem da co-dependência e interditá-la, para não passarmos para frente, barra-la  revertendo assim o quadro.

Para isso existe um fenômeno mental a resistência, “obstáculo” a enfrentar,  que sozinhos  torna-se difícil o trabalho.
Verificamos a importância da ajuda através da análise, onde o medo instalado em se desligar do que causa o sofrimento, seja superado e ocorra a mudança.
A resistência se dá muitas vezes por estarmos confortáveis em determinada situação, e para que haja a transformação, deve o indivíduo enfrentar uma árdua tarefa.
Verifica-se que a co-dependência está presente em pessoas de diferentes classes sociais e culturais, os mais instruídos e inteligentes não ficam livres por ser uma afecção de raízes  emocionais, portanto é mais abrangente do que se pensa e parece que cada vez está presente .
 Temos muito a fazer por nós e por todos que temos a oportunidade de contribuir para  superar, barrar ou controlar a co-dependência, para podermos ser pessoas mais livres e portanto felizes. Ninguém pode se considerar feliz se sentindo culpado, responsável pelos sofrimentos dos outros, verdadeiros cúmplices das mazelas alheias, Se não nos desvencilhiarmos desses elos negativos teremos meias vidas, seremos meias pessoas, e pela metade ninguém pode se dar ao luxo de viver uma vida plena e satisfatória.

Muitas vezes o co-dependente se vê uma vítima, que sofre por causa do outro que provocou tal sofrimento, quando é agredido, explorado, humilhado, abusado, controlado; sem se dar conta que ele próprio através das suas neuroses, atraiu o outro para fazê-lo sofrer, tudo isto ocorrendo de forma inconsciente. Nossa energia atrai o que acreditamos ser merecedores e no caso o sofrimento, que bem longe de ser bom para o ser humano, mas que por motivos e causas que não conhecemos conscientemente, existem, como no caso por exemplo:
-          A criança que vive em lares conflituosos, pais que se desentendem, e outros tantos, crescem acreditando serem responsáveis pêlos sofrimentos dos pais, desenvolvendo culpas, acarretando auto estima reduzida na vida adulta.

O nosso universo mental é bem mais complexo do que supomos, portanto nos cabe escavar até as profundezas do nosso inconsciente, com o objetivo de buscarmos as verdadeiras causas, a raiz do problema, para ficarmos cientes porque muitas vezes nos sentimos tão vazios, como se algo nos faltasse. É importante acreditarmos que, para nos preenchermos, não precisamos do sofrimento que acumulamos no decorrer da vida, mas, sim ocupando o vazio com alegria e satisfação de sermos nós mesmos, aceitando como somos, sem culpas e cobranças, livres de todos os sofrimentos desnecessários para viver.

Como co-dependentes, nos damos conta muitas vezes controlando o outro, cuidando tanto dele, fazendo por ele, no intuito de tê-lo em nossas mãos, mas, o que precisamos realmente é tomarmos posse de nós mesmos e não do outro, o controle do outro pode sim é nos descontrolar, porque ninguém pode ser feliz controlando o outro ou sendo controlado, temos que nos libertar deste elo doentio.

A pessoa se torna ansiosa, angustiada, solitária, desesperançada, depressiva, com pensamentos destrutivos, porque nunca está centrada nela mesma, no seu potencial. Está buscando nos personagens externos suas necessidades internas, causando-lhe mal estar, insatisfação, faltas e falhas. A partir do momento que conseguir através de sua mudança, entender que a maior parte do que necessita está dentro de si mesmo, e que é um ser humano com fontes inesgotáveis para se auto suprir, que o mundo, objetos e pessoas fazem parte deste universo, não são seus de forma doentia como entende e age, estará indo em direção a sua “cura”.

Todos os tipos de drogas, alcoolismo, dependências e comportamentos obsessivos, ciúmes doentio, inveja, fazem parte do indivíduo co-dependente, que se agarra de forma compulsiva na tentativa de suprir e aliviar seu sofrimento, esses indivíduos atraem outros iguais para compartilhar de suas neuroses e vidas, um necessita do outro infelizmente, complementa o outro para sofrer e aliviar a sua culpa, quando um se livra da sua co-dependência, o outro procura um substituto, pois está viciado com o sofrimento que o outro lhe proporciona, acreditando muitas vezes vítima, apenas compartilha das mesmas carências e neuroses.

 A psicanálise como já foi citada, nos ajuda no auto descobrimento, resgatando nossa auto estima, auxiliando para que nos enxerguemos com maior clareza, mudando assim nossa conduta,  nos permitindo acreditar que:

 - Merecemos atrair para nós uma vida boa e saudável substituindo o sofrimento.

Dr. Nilton de Oliveira

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Sindrome de vitima

SÍNDROME DE VÍTIMA: A INCAPACIDADE DE ACEITAR O MUNDO COMO ELE É
Todo o comportamento humano decorre da concepção que nós temos da realidade e nessa realidade existem dois pólos bastante distintos: aquilo que nós somos e aquilo que nos cerca. Nossa postura na vida depende do modo como estabelecemos essa relação: a relação entre nós e os outros, entre nós e os membros da nossa família, entre nós e outros membros da sociedade, entre nós e as coisas, entre nós e o trabalho, entre nós e a realidade externa. A nossa maneira de sentir e de viver depende de como cada um de nós aceita interiormente a relação entre essas duas partes da realidade. E uma das formas que aprendemos de nos relacionarmos com os outros é a posição de vitima.
O que é a vítima? A vítima é a pessoa que se sente inferior à realidade, é a pessoa que se sente esmagada pelo mundo externo, é a pessoa que se sente desgraçada face aos acontecimentos, é aquela que se acostuma ver a realidade apenas em seus aspectos negativos. Ela sempre sabe o que não deve, o que não pode, o que não dá certo. Ela apenas vê a sombra da realidade, paralelo a uma incrível capacidade para diagnosticar os problemas existentes. Há nela uma incapacidade estrutural de procurar o caminho das soluções e, neste sentido, ela transfere os seus problemas para os outros; transfere para as circunstâncias, para o mundo exterior, a responsabilidade do que está lhe acontecendo.Todo problema está fora dela. Esta é a postura da justificativa. Justificar-se é o sinal de que não queremos mudar. Para não assumirmos uma nova postura, justificamo-nos, ou seja, transformamos o que está errado em injusto e, de justificativa em justificativa, paralisamo-nos, impedimo-nos de crescer.
A vítima é incompetente na sua relação com o mundo externo. Enquanto colocarmos a responsabilidade total dos nossos problemas em outras pessoas e circunstâncias, tiraremos de nós mesmos a possibilidade de crescimento. Em vez disso, vamos procurar mudar as outras pessoas.
Este tipo de postura provém do sentimento de solidão. É quando não percebemos que somos responsáveis pela nossa própria vida, por seus altos e baixos, seu bem e seu mal, suas alegrias e tristezas; é quando a nossa felicidade se torna dependente da maneira como os outros agem. E como as pessoas não agem segundo nosso padrão, sentimo-nos infelizes e sofredores. Realmente, a melhor maneira de sermos infelizes é acreditarmos que é à outra pessoa que compete nos dar felicidade e, assim, mascaramos a nossa própria vida frente aos nossos problemas.
A postura de vítima é a máscara que usamos para não assumirmos a realidade difícil, quando ela se apresenta. É a falta de vontade e coragem de crescer, de mudar‚ escondida sob a capa da aparição externa. Essa é uma das maiores ilusões da nossa vida: desejarmos transferir para a realidade que não nos pertence, sobre a qual não possuímos nenhum controle, as deficiências da parte que nos cabe. Toda relação humana é bilateral: nós e a sociedade, nós e a família, nós e o que nos cerca. O maior mal que fazemos a nós próprios é usarmos as limitações de outras pessoas do nosso relacionamento para não aceitarmos a nossa própria parte negativa.
A vítima é a pessoa que transformou sua vida numa grande reclamação. Seu modo de agir e de estar no mundo é sempre uma forma queixosa, opção que é mais cômoda do que fazer algo para resolver os problemas. A vítima usa o próprio sofrimento para controlar o sentimento alheio; ela se coloca como dominada, como fraca, para dominar o sentimento das outras pessoas. Agindo assim ela se porta também como uma egoísta pois tudo que está fora tem de girar em torno dela.
O que mais caracteriza a vítima é a sua falta de vontade de crescer. Sofrendo de uma doença chamada perfeccionismo, que é a não aceitação dos erros humanos, a intolerância com a imperfeição humana, a vítima desiste do próprio crescimento e também sofre da procrastinação que é o deixar tudo parar depois. Ela se tortura com a idéia perfeccionista, com a imagem de como deveria ser, e tortura também os outros relativamente àquilo que as outras pessoas deveriam ser. Há na vítima uma tentativa de enquadrar o mundo no modelo ideal que ela própria criou, e sempre que temos um modelo ideal na cabeça é para evitarmos entrar em contato com a realidade. A vítima não se relaciona com as pessoas aceitando-as como são, mas da maneira que ela gostaria que fossem. É comum querermos que os outros sejam aquilo que não estamos conseguindo ser, desejar que o filho, a mulher e o amigo sejam o que nós não somos.
Colocar-se como vítima é uma forma de se negar na relação humana. Por esta postura, não estamos presentes, não valemos nada, somos meros objetos da situação. Querendo ser o todo, colocamo-nos na situação de sermos nada. Todavia, as dificuldades e limitações do mundo externo são apenas um desafio ao nosso desenvolvimento, se assumirmos o nosso espaço e estivermos presentes.
Assim, quanto pior for um doente, tanto mais competente deve ser o médico; quanto pior for um aluno, mais competente deve ser o professor. Assim também, quanto pior for o sistema ou a sociedade que nos cerca, mais competentes devemos ser com pessoas que fazem parte desta sociedade; quanto pior for nosso filho, mais competentes devemos ser como pai ou mãe; quanto pior for a nossa mulher, mais competentes devemos ser como marido; quanto pior for nosso marido, mais competentes devemos ser como esposa, e assim por diante. Desta forma, colocamo-nos em posição de buscar o crescimento e tomamos a deficiência alheia como incentivo para nossas mudanças existenciais. Só podemos crescer naquilo que nós somos, naquilo que nos pertence. A nossa fantasia está em querermos mudar o mundo inteiro para sermos felizes. Todos nós temos parte da responsabilidade naquilo que está ocorrendo. Não raras vezes, atribuímos à sociedade atual, ao mundo, a causa de nossas atribulações e problemas. Talvez seja esta a mais comum das posturas da vítima: generalizar para não resolver.
Os problemas da nossa vida só podem ser resolvidos em concreto, em particular. Dizer, por exemplo, que somos pressionados pela sociedade a levar uma vida que não nos satisfaz, é colocar o problema de maneira insolúvel. Todavia, perguntar a nós mesmos quais são as pessoas que concretamente estão nos pressionando para fazer o que nos desagrada, pode ajudar a trazer uma solução. Só podemos lidar com a sociedade em termos concretos, palpáveis. Conforme nos relacionamos com cada pessoa, em cada lugar, em cada momento, estamos nos relacionando com a sociedade, porque cada pessoa específica, num determinado lugar e momento, é a sociedade para nós naquela hora. Generalizamos para não solucionarmos, e como tudo aquilo que nos acontece está vinculado à realidade, todas as vezes que quisermos encontrar desculpas para nós basta olhar a imperfeição externa.
Colocar-se como vítima é economizar coragem para assumir a limitação humana, é não querer entender que a morte antecede a vida, que a semente morre antes de nascer, que a noite antecede o dia. A vítima transforma as dificuldades em conflito, a sua vida num beco sem saída. Ser vítima é querer fugir da realidade, do erro, da imperfeição, dos limites humanos. Todas as evidências da nossa vida demonstram que o erro existe, existe em nós, nos outros e no mundo. Neurótica é a pessoa que não quer ver o óbvio.
A vítima é uma pessoa orgulhosa que veste a capa da humildade. O orgulho dela vem de acreditar que ela é perfeita e que os outros é que não prestam. Crê que se o mundo não fosse do jeito que é‚ se sua esposa não fosse do jeito que é‚ se seus filhos não fossem do jeito que são, se o seu marido fosse diferente, ela estaria bem, porque ela, a vítima, é boa, os outros é que têm deficiências, apenas os outros têm que mudar.
A esse jogo chama-se o "Jogo da Infelicidade". A vítima é uma pessoa que sofre e gosta de fazer os outros sofrerem com o sofrimento dela, é a pessoa que usa suas dificuldades físicas, afetivas, financeiras, conjugais, profissionais, não para crescer, mas para permanecer nelas e, a partir disso, fazer chantagem emocional com as outras pessoas.
A vítima é a pessoa que ainda não se perdoou por não ser perfeita e transformou o sofrimento num modo de ser, num modo de se relacionar com o mundo. É como se olhasse para a luz e dissesse: "Que pena que tenha a sombra...", é como se olhasse para a vida e dissesse: "Que pena que haja a morte...", é como se olhasse para o sim e dissesse: "Que pena que haja o não...". E se nega a admitir que a luz e a sombra são faces de uma mesma moeda, que a vida é feita de vales e de montanhas.
Não são as circunstâncias que nos oprimem, mas, sim, a maneira como nos posicionamos diante delas, porque nas mesmas circunstâncias em que uns procuram o caminho do crescimento, outros procuram o caminho da loucura, da alienação. As circunstâncias são as mesmas, o que muda é a disposição para o alvorecer e para o desabrochar, ou para murchar e fenecer.

Prof. Nilton de Oliveira
Texto adaptado de  Antônio Roberto Soares