segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Sindrome de vitima

SÍNDROME DE VÍTIMA: A INCAPACIDADE DE ACEITAR O MUNDO COMO ELE É
Todo o comportamento humano decorre da concepção que nós temos da realidade e nessa realidade existem dois pólos bastante distintos: aquilo que nós somos e aquilo que nos cerca. Nossa postura na vida depende do modo como estabelecemos essa relação: a relação entre nós e os outros, entre nós e os membros da nossa família, entre nós e outros membros da sociedade, entre nós e as coisas, entre nós e o trabalho, entre nós e a realidade externa. A nossa maneira de sentir e de viver depende de como cada um de nós aceita interiormente a relação entre essas duas partes da realidade. E uma das formas que aprendemos de nos relacionarmos com os outros é a posição de vitima.
O que é a vítima? A vítima é a pessoa que se sente inferior à realidade, é a pessoa que se sente esmagada pelo mundo externo, é a pessoa que se sente desgraçada face aos acontecimentos, é aquela que se acostuma ver a realidade apenas em seus aspectos negativos. Ela sempre sabe o que não deve, o que não pode, o que não dá certo. Ela apenas vê a sombra da realidade, paralelo a uma incrível capacidade para diagnosticar os problemas existentes. Há nela uma incapacidade estrutural de procurar o caminho das soluções e, neste sentido, ela transfere os seus problemas para os outros; transfere para as circunstâncias, para o mundo exterior, a responsabilidade do que está lhe acontecendo.Todo problema está fora dela. Esta é a postura da justificativa. Justificar-se é o sinal de que não queremos mudar. Para não assumirmos uma nova postura, justificamo-nos, ou seja, transformamos o que está errado em injusto e, de justificativa em justificativa, paralisamo-nos, impedimo-nos de crescer.
A vítima é incompetente na sua relação com o mundo externo. Enquanto colocarmos a responsabilidade total dos nossos problemas em outras pessoas e circunstâncias, tiraremos de nós mesmos a possibilidade de crescimento. Em vez disso, vamos procurar mudar as outras pessoas.
Este tipo de postura provém do sentimento de solidão. É quando não percebemos que somos responsáveis pela nossa própria vida, por seus altos e baixos, seu bem e seu mal, suas alegrias e tristezas; é quando a nossa felicidade se torna dependente da maneira como os outros agem. E como as pessoas não agem segundo nosso padrão, sentimo-nos infelizes e sofredores. Realmente, a melhor maneira de sermos infelizes é acreditarmos que é à outra pessoa que compete nos dar felicidade e, assim, mascaramos a nossa própria vida frente aos nossos problemas.
A postura de vítima é a máscara que usamos para não assumirmos a realidade difícil, quando ela se apresenta. É a falta de vontade e coragem de crescer, de mudar‚ escondida sob a capa da aparição externa. Essa é uma das maiores ilusões da nossa vida: desejarmos transferir para a realidade que não nos pertence, sobre a qual não possuímos nenhum controle, as deficiências da parte que nos cabe. Toda relação humana é bilateral: nós e a sociedade, nós e a família, nós e o que nos cerca. O maior mal que fazemos a nós próprios é usarmos as limitações de outras pessoas do nosso relacionamento para não aceitarmos a nossa própria parte negativa.
A vítima é a pessoa que transformou sua vida numa grande reclamação. Seu modo de agir e de estar no mundo é sempre uma forma queixosa, opção que é mais cômoda do que fazer algo para resolver os problemas. A vítima usa o próprio sofrimento para controlar o sentimento alheio; ela se coloca como dominada, como fraca, para dominar o sentimento das outras pessoas. Agindo assim ela se porta também como uma egoísta pois tudo que está fora tem de girar em torno dela.
O que mais caracteriza a vítima é a sua falta de vontade de crescer. Sofrendo de uma doença chamada perfeccionismo, que é a não aceitação dos erros humanos, a intolerância com a imperfeição humana, a vítima desiste do próprio crescimento e também sofre da procrastinação que é o deixar tudo parar depois. Ela se tortura com a idéia perfeccionista, com a imagem de como deveria ser, e tortura também os outros relativamente àquilo que as outras pessoas deveriam ser. Há na vítima uma tentativa de enquadrar o mundo no modelo ideal que ela própria criou, e sempre que temos um modelo ideal na cabeça é para evitarmos entrar em contato com a realidade. A vítima não se relaciona com as pessoas aceitando-as como são, mas da maneira que ela gostaria que fossem. É comum querermos que os outros sejam aquilo que não estamos conseguindo ser, desejar que o filho, a mulher e o amigo sejam o que nós não somos.
Colocar-se como vítima é uma forma de se negar na relação humana. Por esta postura, não estamos presentes, não valemos nada, somos meros objetos da situação. Querendo ser o todo, colocamo-nos na situação de sermos nada. Todavia, as dificuldades e limitações do mundo externo são apenas um desafio ao nosso desenvolvimento, se assumirmos o nosso espaço e estivermos presentes.
Assim, quanto pior for um doente, tanto mais competente deve ser o médico; quanto pior for um aluno, mais competente deve ser o professor. Assim também, quanto pior for o sistema ou a sociedade que nos cerca, mais competentes devemos ser com pessoas que fazem parte desta sociedade; quanto pior for nosso filho, mais competentes devemos ser como pai ou mãe; quanto pior for a nossa mulher, mais competentes devemos ser como marido; quanto pior for nosso marido, mais competentes devemos ser como esposa, e assim por diante. Desta forma, colocamo-nos em posição de buscar o crescimento e tomamos a deficiência alheia como incentivo para nossas mudanças existenciais. Só podemos crescer naquilo que nós somos, naquilo que nos pertence. A nossa fantasia está em querermos mudar o mundo inteiro para sermos felizes. Todos nós temos parte da responsabilidade naquilo que está ocorrendo. Não raras vezes, atribuímos à sociedade atual, ao mundo, a causa de nossas atribulações e problemas. Talvez seja esta a mais comum das posturas da vítima: generalizar para não resolver.
Os problemas da nossa vida só podem ser resolvidos em concreto, em particular. Dizer, por exemplo, que somos pressionados pela sociedade a levar uma vida que não nos satisfaz, é colocar o problema de maneira insolúvel. Todavia, perguntar a nós mesmos quais são as pessoas que concretamente estão nos pressionando para fazer o que nos desagrada, pode ajudar a trazer uma solução. Só podemos lidar com a sociedade em termos concretos, palpáveis. Conforme nos relacionamos com cada pessoa, em cada lugar, em cada momento, estamos nos relacionando com a sociedade, porque cada pessoa específica, num determinado lugar e momento, é a sociedade para nós naquela hora. Generalizamos para não solucionarmos, e como tudo aquilo que nos acontece está vinculado à realidade, todas as vezes que quisermos encontrar desculpas para nós basta olhar a imperfeição externa.
Colocar-se como vítima é economizar coragem para assumir a limitação humana, é não querer entender que a morte antecede a vida, que a semente morre antes de nascer, que a noite antecede o dia. A vítima transforma as dificuldades em conflito, a sua vida num beco sem saída. Ser vítima é querer fugir da realidade, do erro, da imperfeição, dos limites humanos. Todas as evidências da nossa vida demonstram que o erro existe, existe em nós, nos outros e no mundo. Neurótica é a pessoa que não quer ver o óbvio.
A vítima é uma pessoa orgulhosa que veste a capa da humildade. O orgulho dela vem de acreditar que ela é perfeita e que os outros é que não prestam. Crê que se o mundo não fosse do jeito que é‚ se sua esposa não fosse do jeito que é‚ se seus filhos não fossem do jeito que são, se o seu marido fosse diferente, ela estaria bem, porque ela, a vítima, é boa, os outros é que têm deficiências, apenas os outros têm que mudar.
A esse jogo chama-se o "Jogo da Infelicidade". A vítima é uma pessoa que sofre e gosta de fazer os outros sofrerem com o sofrimento dela, é a pessoa que usa suas dificuldades físicas, afetivas, financeiras, conjugais, profissionais, não para crescer, mas para permanecer nelas e, a partir disso, fazer chantagem emocional com as outras pessoas.
A vítima é a pessoa que ainda não se perdoou por não ser perfeita e transformou o sofrimento num modo de ser, num modo de se relacionar com o mundo. É como se olhasse para a luz e dissesse: "Que pena que tenha a sombra...", é como se olhasse para a vida e dissesse: "Que pena que haja a morte...", é como se olhasse para o sim e dissesse: "Que pena que haja o não...". E se nega a admitir que a luz e a sombra são faces de uma mesma moeda, que a vida é feita de vales e de montanhas.
Não são as circunstâncias que nos oprimem, mas, sim, a maneira como nos posicionamos diante delas, porque nas mesmas circunstâncias em que uns procuram o caminho do crescimento, outros procuram o caminho da loucura, da alienação. As circunstâncias são as mesmas, o que muda é a disposição para o alvorecer e para o desabrochar, ou para murchar e fenecer.

Prof. Nilton de Oliveira
Texto adaptado de  Antônio Roberto Soares  

domingo, 19 de dezembro de 2010

Porque não eu?

Diante de um mundo impulsionado para andar como um bólido de Formula Um, isto é, um mundo que caminha a uma velocidade absurda, muitos de nós humanos nos descobrimos surpresos, incompetentes para acompanhar tal desenvolvimento. Entretanto as ciências e as tecnologias vêm demonstrando ao longo dos anos que não precisa ser desta forma. A história humana tem demonstrado que o homem é um ser totalmente adaptável as suas necessidades, e que de uma forma ou de outra suas necessidades vão sendo superadas com grande vantagem.
A todo tempo temos visto quebra de paradigmas, haja vista as recentes competições mundiais de natação e outros onde recordes e mais recordes foram quebrados ultrapassando marcas impressionantes.
No campo do intelecto o mesmo se processa, desenvolvimento de habilidades nunca dantes pensadas são hoje o foco de varias entidades.
Percebeu-se neste ínterim que basta que haja um desejo interno e uma forma para fazer, que tudo se torna possível.
É com este novo paradigma que muito se tem conseguido na aprendizagem.
O homem tem uma capacidade incrível para aprender, basta estar estimulado, conhecer seu potencial e encontrar uma forma (técnica) para fazê-lo.
Tudo que se desejar é possível. Isto não é frase feita de motivação, mas sim, uma realidade, tomemos como referência os Jogos Para e Pan-americanos, onde pessoas com diferentes graus de necessidades específicas se suplantaram diante do que se propuseram.
Isto exigiu delas aprendizado, disciplina que hoje está a alcance de todos.
Há instituições com programas de desenvolvimento acelerado em todas as áreas do desenvolvimento humano, especialmente no que tange ao aumento da capacidade de aprendizagem, envolvendo a melhora da leitura que é fundamental.
Para um povo que pouco lê isto é uma ferramenta maravilhosa desde que haja desejo.
Sendo assim pergunto. Já que muitos podem, porque não também eu?

Nilton de Oliveira

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

OBESIDADE/INVEJA

A inveja como um dos fatores constituintes da obesidade


“... nenhum mortal pode guardar um segredo; se sua boca permanece em silencio, falarão as pontas de seus dedos...” Freud 1905-caso Dora
Na década de 30, era comum dar a obesidade a denominação de distúrbios das glândulas endógenas, entretanto, foi a partir dos trabalhos de Bruch 1943; Fenichel 1966; Rascovsky 1950 e alguns outros  que passou-se a olhar este fenômeno como de natureza psicológica.

A Obesidade difere dos Transtornos Alimentares, não é considerada uma patologia psiquiátrica per se, por estar intensamente ligada a causas orgânicas. No entanto, encontra-se imbricada a fatores emocionais, especialmente de ordem psicossomática. A Obesidade costuma estar associada a transtornos do comer compulsivo (diagnosticados conforme critérios do DSM IV) em 30% dos casos e a outros transtornos psiquiátricos, como a depressão e a ansiedade, em 60% dos casos (Spitzer e col., 1992 IN: Mello Filho, 2000).

Toda doença é psicossomática, visto não haver doença “somática” inteiramente livre de influência psíquica - um acidente pode ter ocorrido por motivos psicogenicos e tanto a resistência contra as infecções quando todas as funções vitais são incessantemente influenciadas pelo estado emocional do organismo e até a mais psíquica das conversões pode basear-se em facilitação puramente somática.(Freud citado por Fenichel 1997).

Quem sofre com este tipo de transtorno (DSM IV), quase sempre, possui razões muito mais profundas que mera "gula".
No Brasil, 40% da população têm o diagnóstico de excesso de peso, a maior incidência está entre os adultos, e entre estes, as mulheres.

No entanto, para a Psicanálise a obesidade só se classifica como um sintoma, a partir do momento que incomoda o próprio sujeito. Comer somente o necessário está na contramão da programação alimentar histórica humana, quando pensamos que descendemos de uma civilização primitiva, em que a regra máxima era comer, armazenar energia, para garantir a sobrevivência até a próxima oportunidade de refeição.
É muito importante explicar que traçar este vínculo, não deve servir para legitimar a compulsão pela comida, mas sim para reforçar que a luta contra a compulsão deve ser intensificada porque estamos enfrentando, inclusive nossa própria natureza, já que hoje o alimento está disponível em maior escala que na pré-história dos antepassados.

A grande questão para quem carrega este sofrimento, ou seja, para quem sente a necessidade desnecessária de comer, é perguntar-se: por que estou comendo, o que estou tentando saciar, já que a fome não é?

Questionar-se é o mais importante e o primeiro passo para a compreensão deste sintoma psicológico. Dentre as respostas sob a ótica Psicanalítica podem estar (alguns exemplos hipotéticos): - um mecanismo de defesa, criado a partir de um evento traumático, quando há a necessidade de se pôr a margem desta sociedade, a negação em fazer parte dela; - autopunição, usar o próprio corpo como forma de castigar-se inconscientemente por algo;- tentativa de saciar uma fome não orgânica, mas emocional. Comer para tentar preencher um espaço vazio; comer como forma de prazer, porque outras formas são ineficazes ou inexistentes, conflito inconsciente, arraigado a partir da infância, já que quando se é bebê ou até poucos anos de idade, ser gordinho é bonito e sinal de saúde, de repente, deixa de ser e vêm os regimes. Isto, além de ilógico, é cruel. Um exemplo prático, dos exemplos acima é: quando se faz uma cirurgia para redução de estômago, é imprescindível o acompanhamento psicológico, não só para ajudar na elaboração (idéia de si mesmo) da nova forma física, mas para impedir que outros transtornos tenham início.

Se, comer constitui a principal fonte de prazer e ela é inibida, isto pode resultar numa inexplicável depressão.
As indicações acima são apenas para ilustrar como os fatores psicoemocionais podem influenciar, quando o excesso de peso é indesejado pelo sujeito. Diferentemente dos preceitos sociais, a Psicanálise não classifica padrões e nem julga modelos, ela busca fazer com que o sujeito tome contato, identifique-se e harmonize-se com seus próprios desejos, neste caso, sejam eles: gordo ou magro.

Para Freud (1926 [1925]), o sintoma é a manifestação de uma satisfação pulsional substitutiva que permaneceu jacente, podendo ser considerada conseqüência de uma repressão processada pelo Eu. O sintoma tem em seu fundamento um desejo inconsciente que, por não ser suportável à consciência, o sujeito tenta se defender de tais pulsões, desejos e idéias através do recalcamento. Os sintomas são substitutos de uma representação inconsciente que transpõem a barreira do recalcamento, utilizando-se, para tanto, de mecanismos de condensação e deslocamento (FARIA, 1998; OCARIZ, 2000; ROUDINESCO, 1998).

Sendo assim, não negando as intercorrencias e condições clinicas do obeso, bem como as de ordem cultural e também familiar,  é que pretendo tanto quanto me é possível hoje, com os recursos  disponíveis no nosso caso, o da observação e bibliografia, olhar para esta afecção mais de perto, do contexto psicanalítico somático.   


Em que pese o que já se tem escrito e discutido sobre a obesidade no campo da compulsão, no processo da repetição, evitação, o desejo de destruir através da mordida (o evento canibalistico da fase oral), ou ainda a sublimação da agressividade reprimida (explicitada) no uso do garfo e da faca, proteção corporal ou mesmo como uma defesa contra investimentos de objetos externos e internos, ou ainda se utilizando do mecanismo da identificação, quero contudo apresentar um outro viés desta afecção.

O que trago não é exatamente um caso tratado no consultório, mas é um fato de uma pequena observação ocorrida durante uma visita que fiz a uma clinica de emagrecimento em São Paulo, há pouco mais de 1 ano e de lá pra cá venho trabalhando esta questão onde posso.


Havia nesta clinica varias pessoas com o objetivo de perder peso, mas, com fins diferenciados e específicos.
Havia pessoas que já haviam feito a cirurgia de redução de estomago e que tinham voltado a engordar. Havia pessoas que estavam ali somente para uma reeducação alimentar, outros precisavam perder peso para então se candidatarem a fazer a cirurgia de redução de estomago e havia também algumas que tinham uma espécie de cadeira cativa e todas as semanas passavam por lá três a quatro dias depois voltavam para sua vida rotineira.  

Quando as pessoas chegam nesta clinica fazem uma avaliação de suas necessidades, de seus desejos e objetivos e em cima desta avaliação, recebem uma especificação da quantidade de calorias que deverão consumir a cada dia para atingir o objetivo primeiro.
Em função deste pormenor (quantidade de calorias a serem consumidas no dia) foi que o quadro se me apresentou e que despertou o caminho da pesquisa.

Cada pessoa recebe a cada refeição o seu prato identificado, pronto para ser consumido já com a quantidade de calorias previstas para aquela refeição e foi neste momento que ouvi alguém dizer:

“Hei, com quantas calorias você está? A que o outro responde 1200. Então vem a réplica. Se nós temos as mesmas calorias porque teu prato é maior que o meu?”.

As refeições são cuidadosa e rigorosamente montadas de acordo com o pré estabelecido. Qualquer mudança só com a autorização da nutricionista responsável. Não havia qualquer possibilidade do prato de uma estar maior que o da outra.

Isto me levou a pensar a partir daí no aspecto da inveja no quadro comportamental (basicamente voraz) que tem o obeso. – Se o prato do outro é maior que o meu, está faltando no meu.

Conceituando um pouco, temos que a inveja em tese é composta pelo desejo de ter aquilo que o outro possui (neste caso o alimento) vinculado a voracidade, um desejo impetuoso e insaciável que excede o que o individuo necessita e está ligada inseparavelmente a privação e frustração, ou seja, a necessidade de preenchimento da falta, do vazio de amor, afeto, aconchego, acolhimento, etc.
Fica claro que a questão não está só no ter o que é do outro neste caso o alimento, mas, também o que isto representa e o que se pode obter de benéfico, de gratificação, de prazer com isto.

A inveja, como um fato clínico, é originária da intensificação do ódio, sendo mobilizada pela pulsão de morte voltada contra o próprio sujeito invejoso. O ódio tem como consequência o distanciamento de contato do invejoso com seu próprio ser. Uma situação que levaria ao esvaziamento do self, caso não surgisse a inveja como medida compensatória ao esvaziamento.

Trata-se do ódio dirigido ao que evoca as insuficiências do invejoso, tendo em vista remover a fonte de seus sofrimentos. O ódio ao beneficiário do que é desejado substitui o ódio do invejoso contra si próprio.
Melanie Klein (1964) disse que a pessoa invejada é tida como possuidora daquilo que é mais desejado: um objeto bom, sendo que o impulso invejoso visa tomá-lo ou estragá-lo. O aspecto destrutivo está sempre presente na inveja e, para a teoria kleiniana, os impulsos destrutivos operam desde o começo da vida, em que o bebê coloca partes más de si mesmo, excrementos e outras maldades na mãe e no peito para estragar e destruir o que há de bom. Isso significa que para conhecer a inveja é preciso estudar os caminhos e os processos da capacidade de odiar e de destruir, da qual ela é um derivativo.

A inveja neste caso especifico, pode ser reportada a inveja do seio materno provedor do alimento mas ao mesmo também provedor do aconchego, do afeto que a amamentação proporciona, ou pelo menos presume-se que proporcione.

A inveja pressupõe um objeto para qual está direcionada e aqui neste quadro conforme comprovado na clinica, nos questionamentos que fiz, para alguns casos a existência de irmãos mais novos que requereriam maiores cuidados maternos, exigindo da mãe mais atenção provocando no mais velho a necessidade, a falta do preenchimento do vazio, gerando a inveja.

É como se o irmão mais novo fosse o privilegiado, tendo mais alimento e conseqüentemente mais amor. Com o narcisismo ferido e frustrado o comer voraz compulsivo visa a introjeção total do objeto amado e tudo que ele simboliza antes que o outro mais novo receba aquilo que julga ser seu, mas pode representar também o desejo de destruir (comendo) o objeto ou ainda o desejo de introjetá-lo para quem sabe assim, receber as mesmas gratificações.
O inverso também é verdadeiro isto é, do irmão mais novo para com o mais velho, crendo que este por ser mais velho tenha privilégios que julga serem seus.

O obeso recebe ainda a discriminação cultural e da mídia que ressalta os prazeres e favores que os magros recebem ou esbanjam através de carrões e lindas mulheres para os homens e glamour em capa de revistas e homens saradões para as mulheres.
Ora como eu posso me defender da inveja que tenho destas beldades ou destes saradões, ou do ódio que sinto por mim por não ser assim?
Uma das alternativas é criando uma capa isoladora destes investimentos externos.
Como crio esta capa?
Uma das alternativas é comendo.

O invejoso carrega algumas características:

A inveja sempre é dirigida a algo que já pertence a um outro e este algo pode ser qualquer coisa desde um atributo pessoal até bens matérias, como um fetiche valioso.
-Este algo desejado (invejado) é sentido como único e não pode ser compartilhado. O invejoso quer exatamente aquilo, não lhe interessa algo semelhante, não só para que ele tenha, mas, para que o outro não tenha.
- Uma característica inevitável no invejoso é um permanente jogo de comparação com os demais que foi o que observei na experiência na clinica. Nesta comparação ou é perdedor ou vencedor. Não há meio termo.
- Possue extrema sensibilidade á perda de qualquer coisa que tenha significado. Deve-se isto a uma lógica inversa “Se eu não tenho, ou perdi, é porque eu devo ser indigno e imerecedor de possuir o que é bom”. Isto se reflete nas diversas tentativas que o obeso faz para emagrecer e ao longo do tempo vai se sabotando, entrando no processo da repetição negativa e frustrante, que gera sentimento de incompetência que é transportado para outras áreas da vida.
- O invejoso sofre ao ver que o outro possui aquilo que ele quer para si e assim é penosa para ele a satisfação do outro.
- Uma das maneiras de defender-se da inveja consiste em sufocar sentimentos de amor e trocá-los pelo ódio manifestado na utilização de garfo, faca, mordidas fortes num sentido de destruição do outro.

Está claro que a psicanálise não é uma ciência cartesiana do tipo “toma lá da cá” ou seja, acontecendo isto, necessariamente acontecerá aquilo.
O que trago é um questionamento, um invocar de investigação.

...importante a destacar é que o corpo fala e falam especialmente aqueles sentimentos que ainda não puderam ser expressos com o simbolismo das palavras. Assim alguma parte do corpo que estiver, mais sensibilizada por um determinado conflito psíquico pode funcionar tanto como uma caixa de ressonância, ( a corda sempre rebenta na parte mais frágil) como também a área corporal escolhida, que pode se constituir como um cenário no qual são representados dramas íntimos, com as respectivas fantasias inconscientes...(Zimerman 2004 )




Dr Nilton de Oliveira
Skype nilton112010    



Referencias Bibliográficas

Fenichel,O. Teoria psicanalítica das neuroses Atheneu,S.P, 1997
Klein,M. inveja e gratidão Imago,R.J 1991
Mello Filho,J. Psicossomática hoje Artes medicas P.A, 1992
Mijolla,A. Dicionário internacional de psicanálise Imago,R.J,2002
Paiva,L.M. Medicina psicossomática Artes medicas .A, 1994
Zimerman,D.E. Fundamentos Psicanalíticos artmed  P.A,1999
------------------Manual de técnica psicanalítica artmed P.A, 2004

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Timidez

TIMIDEZ

Esta é uma daquelas palavras que para algumas pessoas só de ouvir já causa calafrios, tremedeiras, suor, dor nos músculos, mudez, em algumas pessoas choro, mãos frias e molhadas e outros desconfortos.
Seria uma leviandade e desrespeito com o sofrimento alheio dizer que é fácil livrar-se deste incomodo.
Antes de qualquer avaliação sintomática entendo ser prudente buscarmos mesmo que superficialmente neste pequeno texto a origem desta “coisa” que apavora uma grande parcela da população mundial.
Há, no entanto vários caminhos á serem percorridos na elucidação da timidez que embora pareça uma doença, a pura verdade é que a timidez é na sua constituição também um sintoma de uma afecção mais profunda e enraizada na constituição emocional de qualquer individuo.
Quando alguém se auto denomina como tímido, basta perguntar-lhe o que ele sente, ou melhor, o que ele pensa quando está diante de uma situação em que se sente tímido.
Invariavelmente ouviremos: medo, ou vergonha.
Se perguntarmos medo de que ou vergonha de que? Ouviremos: de ser ridicularizado, de não ser aceito, de gaguejar, de servir de pileria, de ser tido como um boboca ou algo parecido, etc.
Percebam que timidez não é um fato. É um sentimento. É uma emoção vivida num determinado momento e que em outros esta mesma sensação não ocorre.
Se observarmos atentamente perceberemos que estes medos, ou melhor, estas sensações de medo são na verdade criações mentais, melhor dizendo, são revivencias mentais e emocionais de situações passadas onde estas sensações surgiram e todas as vezes que houver uma possibilidade real ou imaginária (na maioria das vezes assim elas são) desta situação se repetir estas sensações também se repetirão.
Estas situações são revivencias de um passado arcaico, isto é, antigo, basicamente infantil, num período em que nós ainda não possuíamos o pensamento cognitivo desenvolvido e todas nossas relações com o mundo eram travadas através das emoções. Não que assim não sejam hoje. É que naquela época nos fugia os conceitos racionais de certo errado, bom e mau, e etc. Nossas atitudes eram tomadas e nosso aprendizado era feito em cima das emoções.
Há muitas maneiras ou técnicas praticas que prometem eliminar a timidez, mas são paliativas. A timidez só irá ser resolvida a medida que o individuo torna-se adulto diante daquela situação que o faz sentir-se tão mal.
É de fundamental importância que aquele individuo que carrega estas sensações, observe em que situações elas aparecem. Aprenda dar nome aos bois, isto é, como chama esta sensação que você está passando. Você conseguiria localizar onde está esta sensação? Há motivos reais para se sentir assim? Como você agiria se estas sensações não fizessem parte deste seu momento?
A partir do momento que estas respostas vão sendo encontradas é bem possível que se comece a perceber que estas sensações podem ser controladas e ao longo do tempo eliminadas.
Embora ainda haja muito que se falar e escrever sobre timidez, concluímos este artigo afirmando que basicamente a timidez é uma emoção de origem infantil e que tende a desaparecer a medida que vamos nos tornando adultos emocionalmente.

Dr. Nilton de Oliveira

Psicanalista
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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Palestra gratuita

Palestra gratuita sobre: O que a Psicanalise pode fazer por você e pelos que vc ama.
Muitos não conhecem o assunto e se esquivam. Esta palestra é esclarecedora e dará a vc respostas que vc procura.
Ligue 11 99433015 para agendar sua vaga pois elas são limitadas.


Dr Nilton
Psicanalista

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Ele sabia o que dizia

Que a Psicanálise ajuda a viver melhor, os bons terapeutas e seus pacientes já sabem há décadas.  Mas agora neurocientistas europeus e americanos comprovam, em exames do cérebro em laboratórios de imagens de alta tecnologia, que a psicanálise, tida por muitos como um discurso faccional, tem fundamento.científico. Sigmund Freud estava certo em suas descrições do funcionamento da mente humana. Os neurocientistas constataram que o que move o ser humano, como Freud dizia, são os impulsos inconscientes, que sofrem repressão para não se tornarem conscientes, confirmando que as experiências da primeira infância influenciam o padrão de vida ( publicado em 20 de junho de 2004 no jornal O Globo na sessão Jornal da Família.
Freud faleceu aos 83 anos, no dia 23 de setembro de 1939, em Londres, deixando sua contribuição inestimável para a humanidade, ou seja, a descoberta de um sistema de investigação e tratamento clínico, a psicanálise, que até hoje é a mais séria abordagem do psiquismo humano. Após a descoberta de Freud o mundo não foi mais o mesmo.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O que é Psicanalise?

Como define o próprio Freud, é um processo de investigação cuja finalidade é descobrir através das observações e falas do individuo o que se passa em seu inconsciente e daí tirar uma proposta de possibilidade de vida diferente, da atual. Em alguns casos cheias de sofrimento pessoal